COLÉGIO DE PRESIDENTES DE CRICIÚMA – 24/04/2009
Caros colegas
Confesso que os
Colégios de Presidentes de Subseções são eventos de minha particular predileção.
Explico as razões: tratar dos assuntos que envolvem a advocacia nos mais
diversos recantos do nosso estado, com suas particularidades inerentes a cada
região, é tratar, sobretudo, do dia a dia do advogado. E tratar do dia a dia do
advogado não deixa de ser uma dedicação aos valores e às qualidades da nossa
profissão.
Os Colégios de
Presidentes assumem uma importância extraordinária na agenda da Seccional.
Primeiro, porque precisamos fazer a nossa lição de casa, repassar questões de
interesse corporativo, promover acertos e ajustes internos. Mas a importância
estratégica desse nosso encontro aqui em Criciúma deve-se ao fato de que este é
um momento para comprovarmos que nossa trajetória nos últimos 28 meses teve um
compromisso com o resultado, um compromisso com o sucesso, um compromisso com a
cidadania.
A defesa da ética,
da justiça, das nossas condições de trabalho e prerrogativas profissionais são –
e continuarão sendo - prioridades diárias. Assim como também o é combater
quaisquer iniciativas que violem o princípio da indispensabilidade do advogado e
seu papel como integrante fundamental na administração da Justiça.
Até porque ser
advogado é, antes de mais nada, um desafio cotidiano em nossos escritórios e em
nossas instituições, na medida em que enfrentamos crises constantes, muitas
vezes com sérias consequências para nossos clientes e preocupações sem
precedentes nas nossas vidas pessoais, profissionais e
institucionais.
Tudo isso, de certa
forma, pouco tem de inesperado ou mesmo considerado injusto em nossas rotinas
como profissionais do direito.
Mas há dois dias, um
magistrado de Joinville desfechou um ataque surpreendente pela agressividade com
que combateu o vitorioso sistema de defensoria dativa implantado em nosso
estado. Paradoxalmente, isso aconteceu poucas semanas após a rede Globo ter
veiculado em seus telejornais matérias que mostravam em imagens lamentáveis e
até mesmo chocantes a falência da defensoria pública no Brasil.
Não houve por parte
do referido magistrado - nem pareceu haver - qualquer preocupação em preservar o
sistema que é considerado a medida mais coerente e adequada às necessidades de
Santa Catarina – e isso é opinião já manifestada pela maioria dos integrantes do
Poder Legislativo e Judiciário, além da defesa contundente feita recentemente
pelo governador Luiz Henrique da Silveira.
A esse magistrado
respondemos manifestando, de maneira veemente, o nosso repúdio ao que pareceu
uma lamentável tentativa de macular a imagem dos nossos colegas e a instituição
da defensoria dativa.
O Poder Judiciário é
a última porta a que bate o cidadão para fazer valer o seu direito. E Santa
Catarina pode se orgulhar por proporcionar aos seus habitantes uma larga avenida
de acesso a este poder. É inegável que o sistema cumpre com suas premissas de
garantir a prestação jurisdicional à população carente. Se uma defensoria
pública for implantada em nosso estado, as primeiras e maiores vítimas serão os
cidadãos necessitados, que passarão a ter que pernoitar em filas esperando para
serem atendidos por um número insuficiente de defensores públicos, e vendo
potencializado o drama que já o fez correr em busca de um advogado.
Se não é democrático
o estado que concentra renda e perpetua privilégios, igualmente não é
democrático o estado que não garante pleno acesso à
justiça.
E o não atendimento
a esses direitos básicos é uma porta aberta para a violência, para os crimes,
para a insegurança e para a impunidade. São situações que exigem, portanto,
medidas urgentes e drásticas, sendo uma delas a consolidação da defensoria
dativa e, consequentemente, do fortalecimento da segurança pública em nosso
estado.
É por questões como
essas, caros colegas, que nosso encontro aqui em Criciúma determina também o
momento de reforçar que estamos protagonizando em nossa gestão a luta pela mais
concreta união de pessoas e ideais. Independente de ideologias políticas e
pensamentos, todos somos capazes de reconhecer a força que nos congrega e a
importância de um trabalho bem realizado.
Mas apesar dos
positivos resultados obtidos em nossa gestão, ainda não está completa esta
trajetória. Os propósitos ainda não estão plenamente cumpridos, nem tampouco
todos os anseios atendidos e preocupações eliminadas. Agora, mais do que nunca,
é chegado o tempo de reforçar a luta pelo pleno alcance de nossas metas, pelo
exercício constante do senso crítico e pela ação obstinada, advogados,
operadores do direito que somos.
Que lutemos
todos, enfim, pela concretização dos nossos projetos, pelo estímulo à
democracia, pela proximidade com o cidadão, por uma classe cada vez mais
combativa, pelo avançar igualitário da sociedade, por um pacto real de levar a
justiça a todos os brasileiros. Porque esse é o pensamento da
advocacia.
Foi com a união de
dirigentes que fazemos ouvir nossas propostas e projetos e é com a união de
pessoas que chegamos a este momento onde nos integramos para traçar novos
caminhos que visam a colheita dos frutos das sementes plantadas com trabalho e
determinação. Sempre fugindo do individualismo em detrimento do
coletivo.
E é por isso que, neste momento, para finalizar, evoco as palavras de
Giuseppe Garibaldi, o herói dos dois mundos, o herói da Guerra dos Farrapos:
“Com companheiros como vós, posso tentar
tudo!”
Muito obrigado e vamos ao
trabalho.