Apoio aos advogados federais em greve - em 27/02/2008
Ao tomar posse na presidência desta casa em 11 de janeiro do ano
passado, lembro de ter dito em meu pronunciamento que os nossos “inimigos”
continuavam sendo o descaso com a justiça neste país. Na época, lamentei o fato
de que a nossa sociedade convivia (e segue convivendo) com mazelas como exclusão
social, pobreza, má gestão do dinheiro público, crime organizado e desrespeito
aos direitos humanos, traduzido também pelo descaso com os direitos básicos da
população.
Hoje eu
complementaria este trecho dizendo que convivemos também com governantes que
parecem não achar necessário honrar a palavra empenhada. E esse remate é
perfeitamente ilustrado com o motivo que nos reúne hoje nesta Seccional e nas
demais Seccionais da OAB no Brasil, para prestar solidariedade e apoio à medida
extrema de paralisação das atividades dos advogados públicos federais, que
buscam sensibilizar o Governo Federal para a necessidade de cumprimento de um
acordo firmado em 1º de novembro de 2007. O descumprimento desse acordo
deflagrou o movimento grevista nacional pela categoria, provocando danos diários
no âmbito judicial e consultivo ao governo e à sociedade, bem como aos que, com
base no acordo assinado, contraíram obrigações financeiras diversas. Em outras
palavras, estamos diante de um calote, o que repudiamos com toda a nossa
força.
Senhores, é absolutamente inadmissível que um governo descumpra um
compromisso que assumiu formalmente. O sempre lembrado Hely Lopes Meirelles
escreveu: “Os fins da administração pública resumem-se num único objetivo: o bem
comum da coletividade administrada. Toda atividade do administrador público deve
ser orientada para esse objetivo.”
Mas é lamentável que tão poderosas lições ainda careçam não de
orelhas, mas de ouvidos abertos para os interesses da nação e de seus cidadãos.
Felizmente, os advogados não recuam e não se acovardam, e se momentos como estes
são um triste exemplo ao país e ao mundo, por outro lado permitem-nos refletir
sobre a imensa responsabilidade do nosso papel institucional, e reasseguram o
dever inarredável da Ordem dos Advogados do Brasil de defender a cidadania e as
prerrogativas da advocacia.
E a OAB de Santa Catarina segue presente nas grandes lutas em favor
do advogado e da justiça em nosso país. Com muita coragem e uma dose extra de
ousadia, buscamos os nossos direitos ao lado das entidades nacionais, cobramos
respostas às nossas perguntas, reivindicamos o atendimento das causas em
benefício da justiça.
Sabemos todos da importância da segurança jurídica, da importância de
um estado de direito democrático forte, efetivamente sintonizado com a
sociedade, de modo a que, sob o império da Constituição da República e de suas
leis, possam os poderes públicos realizar suas tarefas, respeitados por todos em
sua autoridade. E isso não se consegue sem o concurso eficaz e eficiente da
classe dos advogados públicos federais, responsáveis pela defesa do erário e da
sociedade menos favorecida, defesa esta que no ano de 2007 gerou uma economia de
43 bilhões aos cofres públicos.
Finalizo fazendo
minhas as palavras contidas na nota oficial do Conselho Federal da OAB em apoio
aos advogados públicos federais, que diz o seguinte: “Cumprir acordo assumido é o pressuposto
ético de todo e qualquer governo. Cumprir os acordos celebrados com a advocacia
pública é o que se espera daqueles que subscreveram tais entendimentos. A OAB,
ao tempo em que manifesta seu apoio e reconhece a legitimidade dos procedimentos
adotados pelos advogados públicos federais, solicita a urgente atenção do
Presidente da República para que seja reconhecida a necessidade de cumprimento
imediato dos acordos firmados e, desta forma, restaurada a credibilidade das
negociações havidas”.
Muito obrigado e
contem com o nosso apoio.